"Sítio onde está luz; lanterna, farol" - José Pedro Machado, Vocabulário Português de Origem Árabe

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Sábado, 20 de Janeiro de 2007

Bencatel

Bencatel é uma aldeia perto de Vila Viçosa.

Na sequência do anterior post ( sob o título Aldabrão ) e na linha da temática arabista, recebi um simpático e-mail de um amigo, ligado por laços afectivos a essa aldeia, que me questionava sobre a possível origem árabe da palavra.

Dizia ele (e espero não cometer nenhum abuso de confiança ou desrespeito de privacidade), que lá passou muito tempo da sua infância e juventude, e que, passo a citar, "o meu pai, um dia, perguntou a um árabe o significado da palavra (Bencatel ), ao que ele retorquiu, não sei se brincando, que é ben-filho catel-assassino ou executor".

Numa primeira tentativa de ir ao encontro deste pedido recorri ao prestimoso Vocabulário Português de Origem Árabe, de J.P.Machado , já antes citado. Mas aqui encontrei a informação de que a origem da palavra era obscura, existindo pelo menos um elemento arábico; esse reconhecemos claramente ser o Ben, que de facto significa fiho de; e o autor acrescenta que a terminação -el sugere influência moçarábica.

Prevaleceu o desafio do meu amigo e a pista do árabe.

Como disse alguém, está tudo nos livros,  e  eu tenho um livro, há longos anos na prateleira sem utilização, que  é o Arabic-English Dictionary, The Hans Wehr Dictionary of Modern Written Arabic, Edited by J M Cowan,1976, comprado em Maio de 1977 a conselho do então meu professor de lingua, história e cultura árabe e islâmica, Prof.Doutor António Dias Farinha, actual docente da Faculdade de Letras de Lisboa, e director do INSTITUTO DE ESTUDOS ÁRABES E ISLÂMICOS «DAVID LOPES» .

Depois de tantos anos, a busca foi uma aventura e um prazer; a pista do catel também ajudou; mas tive que ir buscar um alifato ( abecedário árabe) impresso, que já não o sabia de cor, para poder procurar a palavra no dicionário.

Depois lá encontrei a palavra árabe actual que me parece mais de acordo com a pronúncia catel, e mostro abaixo uma imagem do texto que espero não ofenda os direitos de autor .



Voltando à explicação do árabe, e sem querer contestar a sua interpretação, devo referir, que em regra, ou com muita frequência, as palavras árabes são construidas a partir de uma raiz com três consoantes. Neste caso seria q-t-l. A partir daí há toda uma grande familia de palavras que podem existir, onde essa raiz está presente, e onde se podem juntar prefixos ou sufixos, vogais longas ou breves, constituindo novas palavras com diferentes significados. Também, como no português, por vezes o contexto poderá alterar o significado que uma palavra pode assumir.

No caso desta palavra
do árabe actual, "catiiil" (com i longo), que me parece ser a mais parecida com catel; em árabe não existe o "el" ( talvez daí a ref.à influência moçarábica, J.P.Machado , ver supra); a tradução proposta é de "morto em batalha"   ou de "alguém morto em batalha" .

Assim se porventura fosse esta a palavra correspondente a catel, e dos ponto de vista filológico e do estudo da toponímia houvessem quaisquer fundamentos, poderia sugerir-se que Bencatel   significava Filho do Morto em Batalha.

Tudo isto porém não passam de considerações sem qualquer valor, o que não invalida o interesse verdadeiro pelo estudo destas questões, que hoje se renova, intensifica e diversifica, em diversos núcleos universitários em Lisboa, e creio que também no Porto, Évora e Algarve.


publicado por Tó Zé às 16:53
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33 comentários:
De Vasco Barros a 20 de Janeiro de 2007 às 23:25
Quero agradecer ao António o trabalho que teve em procurar elucidar a minha dúvida sobre a origem do nome dessa bela aldeia alentejana no sopé da serra D'Ossa que é Bencatel , onde, como ele disse, passei muitos dos melhores momentos da minha vida, no meio de gente humilde e autêntica, em quem muitas vezes deveríamos pôr os olhos.

Nessa boa parte da minha vida aprendi que da boca dos mais humildes saem doutas palavras, das quais podemos extrapolar paradigmas de vida ajustáveis a qualquer realidade.

Assim, o que passou pela terra do “Filho do Morto em Batalha”, pode trazer na bagagem, para além da recordação dos bons amigos, dos grandes passeios e do trabalho na lavoura, lições de vida ouvidas ao som do crepitar do lume e dos chocalhos das vacas.
De paulo geadas a 9 de Novembro de 2007 às 23:03
Vasco eu vivo nos açores e fiquei deslumbrado pelo facto de te teres interessado pela palavra Bencatel é que de facto a explicação dada pelo nosso amigo António é também aquela a que eu consegui chegar à uns anos atràs. Talves não te lembres de mim, mas nós estudamos juntos no liceu em vila viçosa.
De Anónimo a 17 de Novembro de 2007 às 19:10
Paulo.
Há quantos anos...
Quem diria que o nome desta bonita aldeia ainda nos havia de fazer cruzar.
Eu agora estou em Almada e trabalho em seguros (Lusitania).
o meu e-mail é vasco_barros@netcabo.pt
diz qualquer coisa

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