Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



por Tó Zé Rodrigues, em 18.01.07

Aldrabão

Dizia hoje ao almoço, com uma certa graça, um colega e amigo, que Aldrabão era o nome árabe da nossa profissão.


Nome português de muitas profissões, digo eu, que nós não somos invejosos.


Aliás, quando estamos mesmo zangados aldrabão é o outro, mas quando descontraímos somos capazes de reconhecer que aqui ou ali também lhe vestimos a pele.


Sim, porque mesmo que não tenhamos feito nada para o merecer, aos olhos dos outros não deixaremos de o ser. Os políticos que o digam.


Mas amigo de saber mais um pouco deste legado tão rico fui consultar uma obra, Vocabulário Português de Origem Árabe, do já falecido José Pedro Machado, incansável estudioso, filólogo e arabista.


Segundo ele a palavra vem do árabe al-bardān , com o significado original de «louco».


Daí viria o antigo alvar­dan (séc. III, Cantigas de Santa Maria editadas por Walter Mettmann , Coimbra, 1958-1972, 401, vs.68 ),e posteriormente albardão (séc. XV, Infante D. Pedro, Livro dos Ofícios, p.68 ).
 

Mais tarde, por influência de aldraba, teria surgido   aldra­-bão ( Bluteau , 1712, aumentativo de aldraba; em 1871 , «trapaceiro»).


À parte pequenas "aldrabices", do dia à dia, que cada qual gere à sua maneira, e que por vezes muito nos fazem rir; tantas vezes de nós próprios; valha-nos isso;  penso que o rigor e a verdade são sempre os melhores cartões de visita, sejam pessoais sejam profissionais.


Ao nível das empresas, sectores de actividade, nos sectores privado ou público, e ao nível do País;  estou convicto que uma imagem de rigor e verdade, é fundamental para o seu progresso,  e deve estar assente em realidades concretas e comprováveis e não é compatível com a imagem do Aldrabão.

Assim creio que ao mesmo tempo que nos rimos da Aldrabice em geral, devemos promover o Rigor naquilo que depende de nós e apontar menos o Aldrabão que há no outro.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:01


por Tó Zé Rodrigues, em 02.12.06

Liberdade de escolha vs Multiculturalismo

“  (...)
O multiculturalismo encerra uma verdade importante, que o individualismo liberal tende a esquecer: há nas pessoas uma dimensão colectiva. A minha identidade é, em parte, constituída pela sociedade e pela cultura onde nasci. Se não fosse português, já não seria eu.

Por isso, respeitar a identidade e até a autonomia de uma pessoa implica não lhe arrancar à força a sua cultura comunitária. Tal violência significaria obrigá-la a ser outra pessoa, acção profundamente antiliberal.

A liberdade cultural é, assim, inerente a uma sociedade pluralista livre. Mas essa liberdade não significa apenas tolerância face às várias maneiras de viver e de pensar que existem nas nossas sociedades cada vez mais multiculturais. Implica, também, que cada pessoa seja livre de seguir ou de abandonar a cultura tradicional da sua comunidade.

Este ponto tem vindo a ser levantado por Amartya Sen . Ele sublinha que não se pode confundir liberdade cultural com conservadorismo cultural. E não é preciso puxar muito pela imaginação para ver que pode existir um conflito entre a liberdade individual (a livre escolha por parte de cada um) e a liberdade comunitária (a possibilidade de uma minoria manter a sua cultura repressiva da autonomia pessoal). Ignorar tal conflito é meter a cabeça na areia.

Não é admissível que certas comunidades obriguem os seus elementos a seguir todos os preceitos e regras tradicionais da sua cultura de origem, em particular na esfera religiosa. As pessoas - todas as pessoas - devem ser livres de escolher se querem manter-se nas tradições onde nasceram ou se aderem a outros valores e outras concepções de vida.

Ora dar um tal valor à liberdade pessoal é próprio da cultura ocidental e não se encontra - pelo menos com a mesma força - noutras culturas. Preservar a liberdade de escolha de pessoas inseridas em algumas comunidades tradicionais representa ir contra a cultura dessas comunidades. Ou seja, o multiculturalismo jamais pode ser absoluto. Tem limites.

É perigosa a ilusão liberal de que o Estado e a sociedade podem ser totalmente neutros em relaE não apenas este limite. Há costumes e tradições em algumas culturas que, por muito que as respeitemos, não podemos aceitar. Por exemplo, a eliminação de recém-nascidos com deficiências físicas. Ou a excisão genital feminina.

É perigosa a ilusão liberal de que o Estado e a sociedade podem ser totalmente neutros em relação às várias concepções de vida. Não podem. E, de facto, nunca o são.
Mas, se tivermos em conta esses limites, a sociedade e o Estado liberais representam, sem dúvida, um enorme progresso de civilização, que importa preservar no presente quadro multicultural.
 
(...) “
   
  
    Franscisco Sarsfield Cabral, Jornalista
In  ”Tradição cultural e liberdade pessoal”,
       Diário de Notícias, 2-12-2006
 
        Artigo completo: aqui .
#  selec.  texto e " links ” da responsab.  do autor do blog #

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:00


por Tó Zé Rodrigues, em 26.11.06

Valores Ético-Políticos

Charles Péguy dizia que tudo começa em mística e acaba em política. Desde sempre que a actividade política vive condicionada por esta verificação. No começo, estão os ideais, os princípios, a generosidade das causas, mas o confronto com a realidade suscita a necessidade de conciliar, de encontrar compromissos, de lidar com a complexidade dos fenómenos sociais. Sempre assim aconteceu. Por isso, os cidadãos estão colocados sempre perante o dilema que contrapõe a formulação abstracta dos valores ético-políticos e a aplicação prática e impura dos mesmos. Daí as desilusões, a predominância do curto prazo e do imediato e o esquecimento da mística e dos ideais. E, nos dias de hoje, a força dos meios de comunicação de massa, só reforça esta transigência com o imediato e com a ilusão. Res non verba, coisas e não palavras, diziam os clássicos, para sinalizar à vida política a necessidade de cuidar da resolução dos problemas, em lugar do primado das respostas vagas e das promessas.

 Jorge de Sena, num ensaio luminoso sobre Maquiavel, recorda-nos, a propósito da contradição entre pensamento e acção, que «nenhum pensamento e nenhuma acção existem, ou são possíveis, sem a resistência das estruturas sociais ou materiais, cuja oposição os gera, e que, gerando-os, é por eles conhecida como outra, uma vez que o pensamento e a acção, actuando, transformaram a natureza daquela resistência, criaram uma outra realidade». A vida política resulta dessa contradição que gera uma «outra realidade», para além da primeira relação entre os valores e o pensamento. Afinal, para Sena, Maquiavel encontra a monstruosidade do Príncipe ao reduzir, paradoxalmente, o homem à sua virtù, procurando a sua dignidade responsável- e retirando-lhe a desculpa de «atribuir-se o direito de ser monstruoso à escala divina». É na dignidade responsável, humaníssima, que tudo se põe. Não estamos na escala divina. Estamos na esfera limitada e imperfeita da acção humana - de uma acção que erra, que hesita, que avança por tentativas e pelo efeito da dúvida. O mal não é um critério, mas um resultado. E daí a necessidade de procurar superá-lo e de encontrar uma via de acção, capaz de conciliar pensamento e prática, mística e política. O mal de Maquiavel não é, pois, a justificação, mas a ausência dela. E assim a acção política deixa de conter a fatalidade do mal, para passar a conter uma tensão permanente entre a procura da justiça e a possibilidade da sua negação.

 

Na política, insistia o poeta de Peregrinatio ad Loca Infecta: «Todo o pensamento e toda a acção levam em si aquilo que os contradiz e destrói, aquilo que os fará inferiores à realidade que os ultrapassa.» O pensamento e a acção, os princípios e a realidade «criam-se mutuamente». É o âmago da ética que está nas preocupações do autor de O Príncipe. Encontramo-nos, no fundo, perante a tragédia humana retratada pelo maquiavelismo. A mística de Péguy gera uma «outra realidade» - a política, no sentido de domínio da imperfeição, mas, simultaneamente, como domínio paradoxal da exigência e da justiça. “

 Guilherme d’Oliveira Martins
Advogado. Presidente do Centro Nacional de Cultura.

in Desafios à Igreja de Bento XVI, A César o que é de César, pp.27-29, Casa das Letras/Editorial Notícias, 1ª Edição Novembro de 2005.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:49


por Tó Zé Rodrigues, em 07.11.06

Princípios

A pena capital

Diogo Pires Aurélio
Professor Universitário  

in    Diário de Notícias de 7.11.2006

A reacção não foi imediata, muito menos espontânea, mas surgiu, finalmente, algumas horas após a sentença contra Saddam Hussein : a União Europeia, através da presidência finlandesa, veio lembrar a sua Carta de Direitos Fundamentais, proclamada em 2000, na qual se diz, textualmente, que "ninguém pode ser condenado à pena de morte, nem executado".

(...)

Há, decerto, coisas mais prementes que esta em Bagdad. Dificilmente, porém, haverá ocasião mais adequada para reafirmar a condenação da pena de morte. Noutras circunstâncias, poderia confundir-se com moleza ou caridade. No caso de Saddam Hussein , em que tudo parece estar do lado dos que defendem, no mínimo, a morte do ditador, ir contra a pena capital é exibir o lado absoluto e inegociável que têm os princípios. Não me parece que isso prejudique a Europa, os EUA ou o Iraque.

                                                               Consulte o artigo completo aqui .

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:56


por Tó Zé Rodrigues, em 04.09.06

Mulher na Política

Um longo caminho tem sido percorrido nas sociedades democráticas da nossa época, em particular desde o início do século XX, para o reconhecimento dos direitos políticos às mulheres, desde o direito ao voto até ao exercício de cargos públicos elegíveis.

Também em Portugal, apesar do atraso imposto pelo regime do "Estado Novo" e pelo peso da tradição, que mantém a mulher afastada da gestão da "coisa pública" e da "representação política" por mandato dos seus concidadãos, a mulher tem vindo a afirmar de forma indelével a sua presença no campo da Política, mais pela qualidade do que pela quantidade.

Aqui como no resto da Europa não deixa de carregar com o peso da discriminação e da avaliação marcada por uma ideologia de suposta superioridade do género "oposto".

A este propósito publicou  o Diário de Notícias de 04.09.2006, um artigo de Joana Amaral Dias sob o título "Política imberbe", em que analisa e comenta algumas das coisas que se têm escrito relativamente a Ségolène Royale (possível candidata à presidência francesa),  a Michelle Bachelet (Presidente do Chile), e a Angela Merkel (chancelerina alemã).

E cito " Independentemente das opções políticas destas mulheres, o facto de existirem enquanto protagonistas de relevo representa uma mudança substancial. Mas a forma como são ainda tratadas e retratadas diz tudo sobre o muito que terá ainda que mudar."

Mudanças políticas e legislativas, por certo. Mudanças sociais, sim. Mas fundamentalmente mudanças culturais e ideológicas. É o que eu penso. Não, não é nenhuma campanha de alfabetização ou acção choque para prevenção do tabagismo que será preciso.

Bastará talvez uma análise química, tipo análise da "lágrima de preta".

Na verdade, tal como no caso da cor , no do género, a discriminação das pessoas, a negação teórica ou prática do exercício dos seus direitos, ou a menorização, a que pretexto for , das  suas capacidades com base  em falsas questões não só é injusta como resulta num prejuízo incomensurável para toda a sociedade que essas pessoas poderiam servir.


Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:57


por Tó Zé Rodrigues, em 24.06.06

Alkatiri

Alkitiri apela à mediação de Sampaio e de Chissano
Armando Rafael in Diário de Notícias, 2006-06-24
 
Mari Alkatiri lançou ontem um apelo à intervenção da comunidade internacional em Timor-Leste, afirmando ao DN estar convencido de que só a dimensão dos ex-presidentes Jorge Sampaio e Joaquim Chissano pode - com o apoio das Nações Unidas - travar uma guerra civil no país. "O tempo está a escassear", frisou, advertindo que "tudo teria de ser muito rápido".

"A minha intenção visa contribuir para a resolução dos problemas de Timor-Leste, evitar um banho de sangue e reforçar o Estado de direito no país", acrescentou Mari Alkatiri, que ontem se desdobrou em diversos contactos a nível internacional. A começar por Kofi Annan, o secretário-geral da ONU, uma organização sem apoio da qual só muito dificilmente Sampaio e Chissano poderão a aceitar o repto que lhes foi lançado. E mesmo assim, ainda faltaria saber o que pensam disso as autoridades portuguesas e moçambicanas, já para não mencionar o próprio Xanana Gusmão, a Austrália, os EUA e até o Vaticano.

Uma tarefa de que Ian Martin se poderá encarregar quando chegar a Díli, admitindo que o enviado especial do secretário-geral da ONU ainda chegue a tempo de evitar aquilo que parece inevitável: um conflito aberto entre partidários do Presidente e do primeiro-ministro. Sobretudo se as próximas horas vierem a confirmar que a Fretilin se prepara para cerrar fileiras atrás de Alkatiri, insistindo na sua continuidade. Contrariando todos os cenários que ontem circulavam em Díli e que davam como certa a sua substituição por Ramos-Horta ou por um outro nome indicado pelo partido: Ana Pessoa ou Estanislau da Silva.

(…)

 É no peso destas pessoas que o primeiro-ministro Mari Alkatiri parece apostar agora, tentando inverter a inevitabilidade de uma guerra civil. Mesmo que isso lhe custe o lugar de primeiro-ministro. Mas, aparentemente, nunca nas condições impostas por Xanana Gusmão. "Se a minha saída ajudar, estou pronto. Mas só nas condições que referi."

O que, em termos práticos, significa que a Fretilin, que dispõe de maioria no Parlamento, se prepara para desafiar o Presidente Xanana, que ainda ontem proclamava aos manifestantes que o apoiavam no centro de Díli: "Ganhámos a guerra!"


                                        Notícia completa aqui .

 

Timor perto e longe
ibn rodrigues

Nos pequenos passos ou nas grandes crises.

Um livro. Uma criança que aprende a ler.

Um povo que trabalha para (sobre)viver.

Uma riqueza imensa por explorar.

Políticos que querem traçar os caminhos do futuro.

Amigos para ajudar ? Que não faltem !

Infelizmente as coisas não são assim tão simples.

Desejo que esta crise possa ser superada, sem mais sofrimento desnecessário de inocentes, possibilitando uma solução política que permita um desenvolvimento económico e social mais favorável para o bem estar presente e futuro dos timorenses.




                        

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 08:27


"Sítio onde está luz; lanterna, farol" - José Pedro Machado, Vocabulário Português de Origem Árabe

Mais sobre mim

foto do autor



Arquivo

  1. 2015
  2. JAN
  3. FEV
  4. MAR
  5. ABR
  6. MAI
  7. JUN
  8. JUL
  9. AGO
  10. SET
  11. OUT
  12. NOV
  13. DEZ
  14. 2014
  15. JAN
  16. FEV
  17. MAR
  18. ABR
  19. MAI
  20. JUN
  21. JUL
  22. AGO
  23. SET
  24. OUT
  25. NOV
  26. DEZ
  27. 2013
  28. JAN
  29. FEV
  30. MAR
  31. ABR
  32. MAI
  33. JUN
  34. JUL
  35. AGO
  36. SET
  37. OUT
  38. NOV
  39. DEZ
  40. 2012
  41. JAN
  42. FEV
  43. MAR
  44. ABR
  45. MAI
  46. JUN
  47. JUL
  48. AGO
  49. SET
  50. OUT
  51. NOV
  52. DEZ
  53. 2011
  54. JAN
  55. FEV
  56. MAR
  57. ABR
  58. MAI
  59. JUN
  60. JUL
  61. AGO
  62. SET
  63. OUT
  64. NOV
  65. DEZ
  66. 2010
  67. JAN
  68. FEV
  69. MAR
  70. ABR
  71. MAI
  72. JUN
  73. JUL
  74. AGO
  75. SET
  76. OUT
  77. NOV
  78. DEZ
  79. 2009
  80. JAN
  81. FEV
  82. MAR
  83. ABR
  84. MAI
  85. JUN
  86. JUL
  87. AGO
  88. SET
  89. OUT
  90. NOV
  91. DEZ
  92. 2008
  93. JAN
  94. FEV
  95. MAR
  96. ABR
  97. MAI
  98. JUN
  99. JUL
  100. AGO
  101. SET
  102. OUT
  103. NOV
  104. DEZ
  105. 2007
  106. JAN
  107. FEV
  108. MAR
  109. ABR
  110. MAI
  111. JUN
  112. JUL
  113. AGO
  114. SET
  115. OUT
  116. NOV
  117. DEZ
  118. 2006
  119. JAN
  120. FEV
  121. MAR
  122. ABR
  123. MAI
  124. JUN
  125. JUL
  126. AGO
  127. SET
  128. OUT
  129. NOV
  130. DEZ